Como lidar com a sexualidade infantil?

A ideia de escrever este post foi compartilhar uma situação que ocorreu com uma mãe num diálogo com seu filho de 4 anos.  As experiências e dúvidas experimentadas por alguns  podem ajudar de uma maneira criativa e direta outros pais. Muitas vezes mães me perguntam o que fazer quando o assunto é sexualidade. Ou ainda pedem que eu recomende algum livro que vai falar sobre sexualidade infantil. Mas os livros, mesmo bons livros não vão tratar de alguns assuntos de maneira individualizada.

Certa vez, uma mãe me pediu orientação, pois seu filho Joãozinho* lhe contou que sugeriu para um coleguinha na escola “brincar de se apaixonar”. Ela não soube o que fazer na hora e acabou respondendo qualquer coisa, mas ficou com aquela dúvida e se questionando se tinha feito a coisa certa.  Na ocasião, a mãe, além de ter repreendido o filho,  ainda completou sua fala com um ditado popular: “homem com homem dá lobisomem”.  Joãozinho começou a chorar na hora.  Imagino que muitas fantasias e medos vieram visitar o imaginário da mãe neste instante: “Será que meu filho vai ser gay?”, “Será que estou fazendo de errado para meu filho ter tido uma ideia dessas?”, “O que vão pensar do meu filho na sala de aula?”, entre outras coisas. E Joãozinho chorando angustiado, sem entender o que fez de errado. Quem nunca se sentiu assim com os filhos? Muitas vezes somos inundados pela ansiedade de uma pergunta que a criança traz e mal conseguimos ouvir a pergunta até o final. Muitos pais acham que tem que saber de tudo e dar a resposta perfeita. Isso não existe.

A primeira coisa que os pais precisam saber é que a sexualidade na criança não é igual a do adulto. Então, algo muito precioso a fazer é não colocar a criança no lugar do adulto. Quando um menino de 4 anos sugere isso para um coleguinha, temos que saber que ele está falando do lugar de uma criança. A criança, em suas descobertas, gosta de experimentar e a sexualidade não fica de fora disto. Então, o que fazer? Antes de mais nada, temos que entender o que Joãozinho quer dizer com se apaixonar. E esta pergunta deve ser feita para ele. Isso nos dá uma boa ideia do que a criança sabe sobre o assunto e assim, conseguimos dimensionar nossas respostas, nos aproximando do universo daquela criança. Respondemos o que é necessário, sem nos omitir e sem explicar detalhes que naquele momento talvez a criança nem esteja preparada para absorver. Para entrar neste espaço dialógico, precisamos abandonar  a posição de que temos que saber de tudo. Muitas vezes, a resposta  que a criança dá, ou a maneira que ela nos conta sobre sua ideia do que é se apaixonar, já elimina muito das nossas angústias. Ele pode estar pensando algo muito diferente do que a mãe está imaginando. Ao fazer perguntas para os filhos, os pais criam um espaço de diálogo, favorecendo a orientação e a aproximação da criança com eles.  Há uma aproximação do espaço subjetivo da mãe e da criança. Chegar neste lugar é se despir de todas as crenças, preconceitos e demandas que temos. É neste lugar que acontecem os encontros.  Se existe repreensão, a criança não consegue entender o que ela  fez de errado, por que dentro da sua concepção, não existe malícia ou algo de mal dentro de seu universo. Além disso, a personalidade da criança está em formação, portanto não dá para afirmar nada sobre ser ou não homossexual, entre outras coisas. Este universo pertence aos adultos.

É muito importante toda informação ou orientação que puder ser dada aos pais , pois eles sempre querem o melhor para seus filhos e precisam ser acolhidos nas suas angústias. Muitas vezes, os pais acham que tem que dar conta de tudo e tem que ser perfeitos em tudo. A demanda é enorme e isso forma filhos com demandas enormes também. Mas este já é assunto para outro post! Espero ter contribuído.

*nome fictício.

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